Por: Portal CTB
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12 de Janeiro de 2012
A sua trajetória sindical começou em 1970, aos 19 anos, quando decidiu se sindicalizar. Em 1972, foi eleito presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadores Rurais de seu município. Em seguida, Juraci coordenou o Pólo Regional do Vale do Jequitinhonha por dois mandatos, entre 1975 e 1981, e passou a morar na cidade de Almenara.
O trabalho de Juraci ganhou projeção no estado e o resultado de sua gestão o conduziu à direção da Fetaemg, onde exerceu dois mandatos como secretário-geral e um como presidente. Após deixar a diretoria da federação, assumiu novamente a Coordenação do Pólo Regional por mais seis anos.
Juraci Souto é Secretário de Formação e Organização Sindical da Contag e concedeu entrevista ao Portal CTB, fazendo um balanço deste ano que se finda e as perspectivas da Contag para o ano de 2012, quanto às ações do movimento sindical no campo e seus desafios.
Portal CTB: Quais os grandes planos e as perspectivas da Contag quanto aos desafios das atividades dos trabalhadores e trabalhadoras do campo em 2012?
Juraci Souto: A Contag se orienta em suas ações e atuação política pelo seu projeto alternativo de desenvolvimento rural sustentável e solidário, e um dos pilares, o mais importante do nosso sistema na Contag é a realização de uma ampla e massiva reforma agrária no Brasil.
Nós entendemos que a partir do acesso a terra, a partir do momento que o trabalhador e trabalhadora tem acesso a terra, é aí que ele passa a demandar outras políticas públicas.
Ultimamente temos assistido um recuo muito forte no que diz respeito à realização da reforma agrária no país, se já era muito lenta, nos últimos anos essa lentidão e recuou tem aumentado de uma forma muito significativa na visão da Contag e das Federações dos Trabalhadores na Agricultura, as Fetags.
Portal CTB: O que a Contag e as Federações podem fazer para acabar com essa lentidão e procurar pressionar o governo para ampliar a reforma agrária?
Juraci Souto: A principal bandeira da Contag e das Fetags é a reforma agrária e quando a gente vê que a sociedade e o governo brasileiro não estão mais pautando a reforma agrária como sua principal agenda, é claro que acaba remetendo para a Contag e os sindicatos de trabalhadores rurais filiados as federações, que hoje atingem mais de 4 mil em todo o país ligados as Fetags e a Contag.
Nós e as federações discutimos internamente e temos consciência que desta dificuldade e que precisamos retomar com muito mais força as mobilizações para que os movimentos sociais e populares se envolvam para organizar e fortalecer todo o movimento.
Portal CTB: Após aprovação na Câmara Federal, o novo Código Florestal foi aprovado no Senado. Após as alterações sofridas, deve ser votado em março novamente na Câmara Federal, quais pontos positivos e negativos deste novo texto?
Juraci Souto: O Código Florestal foi um tema bastante debatido dentro da Contag e das Fetags, e não podemos deixar de considerar as dimensões continentais do país que tem várias tendências e realidades regionais. A realidade do Sul e a do Nordeste são distintas, por isso que defendemos que não se pode dar o mesmo tratamento para o país inteiro e não considerar as realidades locais.
Tivemos uma participação efetiva durante a confecção do texto e debatemos muito na Câmara Federal o novo Código Florestal. Achamos que houve uma melhora no texto do Senado, principalmente quando se trata a agricultura familiar de maneira diferente da agricultura patronal.
Existe ainda o enfoque quanto aos pontos positivos e negativos, os grandes desmatadores não podem ser contemplados. Não podem isentar os grandes culpados pelo descontrole ambiental cometidos. Mas, a Contag concorda que aconteceu um grande avanço neste novo texto aprovado no Senado e atende as nossas expectativas.
Portal CTB: Nota-se um grande movimento político nas Federações de Trabalhadores na Agricultura, em que se fundamenta essa orientação sindical?
Juraci Souto: O surgimento e a legalização das Centrais Sindicais trouxeram uma nova realidade no país, as centrais ocuparam um espaço importante na luta sindical no contexto nacional e da classe trabalhadora.
Podemos citar a luta em garantir reajustes reais ao salário mínimo, com a participação maciça na conquistas de novos índices para a classe trabalhadora, tanto a urbana como a rural.
Como na base da Contag existe uma grande diversidade de pensamentos, de conceitos e de concepções políticas, não existe uma orientação para que se siga somente uma central.
No Congresso passado nós nos desfiliamos da CUT, achamos que a Contag é uma representação nacional, que tem esse papel de coordenar essa diversidade e entendemos que a não vinculação a uma única central ela pode se relacionar com mais centrais.
E no último encontro definimos que só relacionamo-nos com as duas centrais, a CTB e a CUT, e notamos que muitas federações ou participaram de sua fundação ou passaram a ser filiadas à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.
A migração de federações para CTB representa a presença significativa, principalmente quanto ao número de sindicatos da base de trabalhadores rurais ligados à CTB hoje, que atinge 70% dos sindicatos filiados a CTB, esse número tem que ser divulgado. E a proposta da unicidade é um componente facilitador para que novas federações e sindicatos se unam a CTB.
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