Por: O Popular
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11 de Janeiro de 2010
A população goianiense produziu em dezembro mais de 41 mil toneladas de lixo. O volume bateu o recorde da quantidade de resíduos domiciliares coletados por mês pela instituição na capital (veja quadro). São restos de alimentos, entulhos, vasilhames descartáveis, sucatas, pedaços de papelão, pneus, vidros e latas, entre tantos outros itens consumidos e dispensados sumariamente pelas pessoas e acrescido ao montante de resíduos levados para o Aterro Sanitário da cidade, na saída para Trindade.
O Presidente da Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia (Comurg), Wagner Siqueira, considera exorbitante o acréscimo da produção de lixo. “Sempre observamos um crescimento da geração de resíduos no último mês do ano, mas desta vez o avanço foi assustador. É uma loucura”, enfatiza. Levantamentos da Comurg revelam que em dezembro foram coletadas 2,8 mil toneladas a mais do total de lixo domiciliar captado em novembro (38,4 mil toneladas) e 6,2 mil toneladas a mais da média de resíduos produzidos ao longo de 2009 (35 mil toneladas).
Apesar de ter sido verificada com mais incidência em dezembro, o avanço da geração de resíduos por moradores de Goiânia tem ocorrido ano a ano. As notificações da Comurg mostram que a quantidade de lixo captada pulou de 306,2 mil toneladas, em 2004, para 402,8 mil, em 2009 (veja quadro).
Especialistas na área alegam que em dezembro, particularmente, o fenômeno foi motivado pelo pagamento do 13º salário e pelo consumo de bens e produtos nas festas de Natal e Ano-Novo e, ainda, pela predominância de chuvas intermitentes. Nos últimos anos, o avanço do volume de resíduos está relacionado à melhoria do poder aquisitivo da população e ao crescimento da cidade.
O aumento da produção de lixo tem como graves consequencias a saturação dos aterros sanitários e o aumento dos custos para o tratamento de resíduos. Estruturado em 1993 num local antes usado como lixão, o Aterro Sanitário de Goiânia terá sua área específica para depósito e tratamento de lixo ampliada em quase 200 mil metros quadrados. A ampliação, conforme diz a assessora técnica da Comurg, Renata Gonçalves Moura Ribeiro, é fundamental para que o local continue a receber por pelo menos mais 15 anos o material dispensado pela população de Goiânia.
A saturação dos aterros sanitários é um problema verificado em várias metrópoles do País. Capitais como São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Alegre (RS), entre outras, estão com aterros sanitários esgotados. O professor Eraldo Henriques de Carvalho, coordenador do Núcleo de Resíduos Sólidos e Líquidos da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Católica de Goiás, destaca que os gestores públicos são forçados a providenciar outras áreas para a acomodação dos rejeitos, cada vez mais distantes das cidades.
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